Entre minério, aço e celulose, Vale e Aura “brilharão” no 4T; o que fazer com ações?

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O que esperar para as ações do setor de materiais básicos na temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25)?

A expectativa é de números mistos, com destaque positivo para as mineradoras, enquanto papel e celulose devem ter resultados discretos.

Para os analistas de mercado, Vale (VALE3) e Aura Minerals (AURA33) são os nomes que devem ter bons números no 4T.

A XP Investimentos aponta sobre as mineradoras que, com preços de referência de minério mais altos novamente (+US$ 3 a tonelada na base trimestral) e um desempenho de custos controlado, a expectativa é que a Vale apresente resultados melhores no trimestre, também apoiados pela melhora em metais básicos.

Já para as siderúrgicas, a XP projeta que a sazonalidade prejudique os resultados, com Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), devendo reportar mais um trimestre fraco no Brasil, enquanto a exposição da Gerdau à América do Norte deve mitigar resultados mais fracos no mercado doméstico.

Por fim, a Aura deve se beneficiar dos preços mais altos de ouro (+US$ 700/oz ante o 3T25) e do crescimento de volumes (reportados recentemente).

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Na mesma linha, o Bradesco BBI espera um trimestre sólido para a maioria das empresas de mineração, enquanto os nomes de aço devem apresentar resultados mais discretos.

Para a Aura, após sólidos números operacionais divulgados no início do ano, estima Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) no 4T25 em US$ 221 milhões (aumento trimestral de 46% e de 179% em base anual). As operações de cobre também devem apoiar os resultados da Vale, que espera manter um trimestre em grande parte estável, já que o desempenho mais fraco na divisão de minério de ferro é compensado por metais básicos mais fortes.

Em geral, a previsão é de um Ebitda da Vale em US$ 4,5 bilhões (crescimento de 2% no trimestre e de 9% em base anual), com vendas de minério de ferro e pelotas atingindo 84 milhões de toneladas no trimestre (queda trimestral de 2% e aumento anual de 4%).

No setor siderúrgico, o BBI projeta que o Ebitda da Gerdau deva cair 16% no trimestre (e queda de 3% em relação ao ano anterior), já que a fraqueza persistente nas operações no Brasil compensa grande parte da melhora esperada na América do Norte. Notavelmente, espera que as margens no Brasil atinjam um recorde de 6%.

Para a Usiminas, espera uma queda do Ebitda em 11% no trimestre(e de 25% em base anual) para R$ 387 milhões, impulsionado por volumes menores e pressão de precificação no segmento de aço, parcialmente mitigados pelos preços mais altos do minério de ferro. Espera-se que o Ebitda da CSN também caia, recuando18% no trimestree 19% em relação ao ano anterior, impulsionado por resultados mais fracos tanto nas divisões de aço quanto de mineração

Aura e Vale também aparecem entre as melhores opções do BTG Pactual para a temporada de resultados, enquanto as siderúrgicas devem continuar enfrentando um momentum de resultados pior, refletindo um ambiente de preços mais fraco e uma sazonalidade menos favorável.

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Papel e celulose: resultados discretos

Apesar dos preços de celulose mais altos ante o 3T25, a valorização do real e a sazonalidade mais fraca devem pressionar as empresas do setor, avalia a XP.

Para a Suzano (SUZB3), a projeção é de menores volumes de celulose trimestre a trimestre (principalmente devido a várias paradas de manutenção no 4T25), com preços realizados mais altos em dólares e custos menores, levando a um Ebitda reduzido no 4T25E (embora a alta dos preços da celulose ao longo do trimestre sugira melhora no 1T26E).

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A Klabin (KLBN11), avalia a XP, também deve apresentar resultados ligeiramente mais fracos, com a valorização do real pressionando os preços da celulose em real e custos mais altos devido às paradas de manutenção afetando o negócio de celulose, enquanto a sazonalidade pesa no desempenho de papel/embalagens, apesar dos preços resilientes.

O BBI vê Klabin se destacando como o pior desempenho, com um Ebitda em retração de 17% no trimestre (e de 4% em base anual) devido a volumes sazonalmente mais fracos em papel e embalagens, combinados com pressões de custos em um trimestre marcado pelo tempo de inatividade de manutenção em Ortigueira.

“Para Suzano, esperamos uma leve queda no trimestre, impulsionada por volumes sazonalmente mais fracos e valorização do real”, avalia.

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O que fazer com as ações?

Olhando à frente, o BTG destaca que a perspectiva para as commodities permanece mista e amplamente dependente de fatores macro (temas principais: IA, desvalorização monetária, geopolítica) e de dinâmicas cambiais, em vez de uma melhora generalizada dos fundamentos.

Embora disciplina do lado da oferta, disrupções idiossincráticas e um noticiário favorável continuem a oferecer suporte em commodities específicas (especialmente as temáticas, como cobre, ouro, terras raras, alumínio etc.), a visibilidade da demanda segue limitada, particularmente na China, onde o crescimento vem se tornando menos intensivo em commodities.

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“Como resultado, vemos pouco espaço para uma alta generalizada do complexo, especialmente após o rali recente, com a performance devendo permanecer altamente seletiva e guiada por fatores bottom-up e por exposição a commodities com dinâmicas de oferta e demanda mais apertadas”, avalia.

Em meio a esse cenário, o banco tem recomendações amplamente inalteradas e seguem favorecendo Vale e Aura entre as empresas sob sua cobertura.

Além disso, continua gostando da tese da CBA (CBAV3), dada sua forte exposição a uma commodity com momentum sólido (alumínio a US$3.190/t), apesar de um 4T ainda desorganizado.

Em celulose, vê fundamentos melhorando marginalmente (resultados retrospectivos), com preços de revenda já em cerca de US$ 580/t, apontando para um melhor momentum operacional à frente.

Dada sua maior exposição a celulose e valuation relativo mais atrativo, segue preferindo SUZB3 a KLBN11, ao mesmo tempo em que vê Irani (RANI3) como o nome mais resiliente do segmento.

Para as siderúrgicas, a sazonalidade do início do ano deve oferecer algum suporte, embora o principal debate continue girando em torno da agenda antidumping. “Dentro do espaço, mantemos nossa preferência por Gerdau (GGBR4) em relação a USIM5/CSNA3, apesar de reconhecermos um retorno mais limitado proveniente de potenciais medidas antidumping”, avalia.

Por fim, a Dexco (DXCO3) segue sendo uma recomendação que o BTG gosta como tese de juros e reestruturação, ainda que as melhorias operacionais e de alavancagem devam ser graduais, com sinais positivos mais tangíveis provavelmente emergindo no 4T.

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