como investir em meio ao ‘novo realismo’ geopolítico

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“Estamos entrando em uma fase estruturalmente mais arriscada no ciclo geopolítico”. A afirmação é de Thomas Mucha, estrategista geopolítico da Wellington Management. Em um painel durante o XP Global Conferente 2026, Mucha afirmou que estamos passando para um momento de ‘novo realismo’ geopolítico, com o fim de um longo ciclo de cerca de 80 anos, de estabilidade e globalização.

“Temos 65 conflitos ativos ao redor do mundo hoje, incluindo conflitos entre estados ou agressões armadas dentro das nações, além de cerca de 20 tentativas de golpes”, diz Mucha. E mais disrupção deve vir. “Na chamada ‘Zona de Calor’, 30 graus para cima e para baixo da Linha do Equador, a próxima década deve enfrentar muitos outros conflitos pela escassez de água, migração climática. O Irã está nesta zona. Assim como Afeganistão, grandes partes de Taiwan e da China também” afirma.

Para Mucha, Depois de décadas em um movimento de globalização, com o impulsionamento de integrações econômicas e livre fluxo de ideias e produtos, o mundo vive, agora, um ‘novo realismo’ geopolítico, com os países recuando em suas iniciativas de globalização e a priorização de segurança alimentar, energética e tecnológica. Com isso, a política internacional tornou-se a variável mais relevante na precificação de ativos e na redefinição de alianças e cadeias produtivos.

Neste cenário, a rivalidade entre Estados Unidos e China surge como uma variável chave para os próximos cinco, dez e vinte anos. “Para os políticos americanos, a China já representa o maior desafio para a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos. É uma mudança natural: quando um país se torna mais poderoso economicamente, ele naturalmente quer aumentar sua fronteira de segurança internacional. Esse crescimento é transferido para um poder diplomático e militar”, afirma Mucha.

Este movimento, de crescimento da China, é o cientista político norte americano Graham T. Allison chama de ‘Armadilha de Tucídides’, um conceito das relações internacionais que descreve a aparente tendência à guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma grande potência, já consolidada como hegemônica, no sistema internacional.

É o preço do combustível, estúpido

Conflitos regionais, como a escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Irã, por exemplo, devem ser vistos dentro deste contexto mais amplo de desestabilização. Segundo Mucha, o objetivo de EUA e Israel, por exemplo, é degradar a capacidade do Irã em dimensões de segurança nacional, como mísseis, drones e programa nuclear, além de garantir a normalização de rotas estratégicas.

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Para os investidores, este cenário exige uma recalibração de portfólios. Mucha sugere estratégias ativas, diversificação global e foco em temas de longo prazo, como inovação em defesa e estratégias climáticas. Para ele, a análise deve ser granular, olhando para países e setores individuais, pois haverá vencedores e perdedores neste ambiente mais disperso e disruptivo.

O conflito já causou o maior suporte do preço do petróleo na história, com os preços subindo constantemente, o que significa uma pressão inflacionária global. Com isso, a duração do conflito é crucial, pois impacta diretamente os preços de energia, a inflação e a política monetária global. “A “durabilidade” dos conflitos, especialmente no Oriente Médio, é o principal motor da pressão inflacionária global, impactando diretamente a economia e a política doméstica”, afirma.

Além do petróleo bruto, o gás natural liquefeito (GNL) também é um componente crítico, especialmente para regiões como a Europa e o Norte da Ásia, que são vulneráveis a interrupções no fornecimento. Para Mucha, qualquer prolongamento da guerra intensifica os riscos de interrupções, elevando ainda mais os custos de energia e logística.

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Fed

Com as expectativas de mercado intrinsecamente ligadas à duração do conflito e em um período de inflação já elevada, a guerra adiciona “muito mais complicações” para a política do Banco Central americano (Fed), avalia Mucha.

Além das implicações econômicas diretas, o preço do combustível também tem um peso significativo na política doméstica americana: é uma variável chave para determinar o apoio ao governo e pode influenciar fortemente as eleições de meio de mandato (midterms), que acontecem em novembro deste ano.

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Para Mucha, o preço do combustível, portanto, não deveria ser visto apenas como um sintoma, mas um motor fundamental das decisões e consequências da guerra. “É tudo sobre a crise do preço dos combustíveis”, resume.

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