A Cogna (COGN3) deve consolidar um desempenho operacional mais forte do que o da Yduqs (YDUQ3) ao longo do primeiro trimestre de 2026 (1T26), amparada por uma captação de alunos mais eficiente nas modalidades presenciais, de acordo com relatório do JPMorgan divulgado nesta sexta-feira (24).
Os analistas recomendam a compra de ações da Cogna, especialmente por conta da aceleração da receita, com uma projeção de alta de 28% sobre o mesmo período do ano anterior.
Além disso, a expectativa é que a receita líquida da companhia atinja R$ 2,1 bilhões, valor que se posiciona 7% acima do consenso de mercado, enquanto a Yduqs deve registrar um crescimento tímido de apenas 3,2%.
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“Favorecemos a Cogna por um mix de menor risco e também melhores tendências no presencial”, diz relatório do JPMorgan.
Ainda, eles ressaltam que a receita da Kroton (unidade de ensino superior da Cogna) deve avançar 11% no período, superando os 8% registrados no quarto trimestre de 2025. Em contrapartida, a Yduqs enfrenta um momento classificado como “medíocre” pelos analistas, com dificuldades para converter matrículas no ensino digital.
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Pressão macroeconômica
O cenário macroeconômico brasileiro aguardava uma queda da taxa básica de juros, a Selic, mais acelerada. Porém, com mudanças de vento neste aspecto, muitas empresas vão sentir impactos diretos nas suas projeções, incluindo a Cogna e a Yduqs, segundo o relatório da JPMorgan.
“Cortamos as estimativas devido às margens menores da Kroton e também à queda mais lenta esperada na taxa Selic, o que aumenta a despesa financeira”, diz o documento.
Dentro do contexto, o banco reduziu a estimativa de Lucro por Ação (LPA) ajustado da Cogna em 10% para o ano de 2026 e em 16% para 2027.
Para a Yduqs, embora o lucro de curto prazo tenha sofrido um ajuste positivo pontual de 3%, a projeção para 2027 foi cortada em 3,5%. O banco projeta que a Cogna reporte um lucro líquido ajustado de R$ 247 milhões no 1T26.
Desempenho e expectativas sobre a Cogna
A Kroton mostra uma clara divergência entre as modalidades de ensino oferecidas. A captação de novos alunos no modelo Campus (Presencial) deve registrar um salto de 20% no início de 2026. Por outro lado, o segmento de DL (Ensino a Distância, incluindo o híbrido) enfrenta uma retração de 15% na base anual.
O relatório destaca que essa força no presencial é um diferencial competitivo no momento. “Esperamos que a Kroton apresente um bom momento no 1T, com receitas subindo 11% a/a, ajudada por um crescimento de 20% na captação presencial”, afirma a análise técnica. No entanto, as margens devem ser mais fracas, levando a um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado estável para a unidade.
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A compressão da margem consolidada da Cogna é estimada em 3,2 pontos percentuais, situando-se em 31,0%. Segundo os analistas, “parte disso pode ser devido à antecipação de marketing que poderia ser compensada no restante do ano”. O Ebitda ajustado consolidado da companhia deve subir 16% na comparação anual, atingindo R$ 651 milhões.
Ao todo, o JPMorgan ajusta as expectativas para as unidades de negócio da seguinte forma:
- Kroton: redução de receitas da estimativa de 2026 e 2027 -0,5% e -2,2%, respectivamente, enquanto cortou o Ebitda em -5,9%/-8,9%, devido a expectativas de margens menores;
- Vasta: ajuste nas receitas de 26/27 em 0,8%/1,9%, mas aumentou a projeção do Ebitda ajustado em 1,8%/4,6% devido a expectativas de margens mais altas;
- Saber: os analistas aumentaram as expectativas das receitas de 26/27 em 5,4%/3,5%, também aumentando o esperado para o Ebitda ajustado em 16,9%/3,5%.
Sobre o preço-alvo das ações da Cogna, houve uma redução de R$ 5,5 para R$ 6,0 até dezembro de 2026.
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“Nosso preço alvo é baseado em uma análise de Fluxo de Caixa Descontado (DCF) empregando um Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) de 13,7% em reais nominais e 0% de crescimento real na perpetuidade”, diz o relatório. “Além disso, também ajustamos o valor justo para provisões de contingência líquidas de impostos e depósitos judiciais, totalizando R$ 668 milhões”.
Yduqs: riscos operacionais
Para a Yduqs, o panorama traçado pelo JPMorgan é de cautela, com a manutenção da recomendação neutra para a compra de ações. O preço-alvo também sofreu um corte: R$ 21,0 para R$ 18,5, com um WACC mais elevado, de 15,0%.
Na métrica de Preço/Lucro (P/L), a Yduqs negocia a 5,7 vezes para 2026, enquanto a Cogna está em 5,8 vezes. Caso a Selic terminal permaneça em 12%, esses múltiplos devem subir ligeiramente para ambas as companhias.
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Em relação ao 1T26, a empresa deve reportar receitas de R$ 1,3 bilhão no trimestre, o que representa uma desaceleração frente ao crescimento de 3,7% visto no final do ano passado. O principal detrator é o segmento Digital, que teve suas projeções de faturamento para 2027 cortadas em 18,6%.
Apesar dos desafios no digital, a Yduqs possui certa resiliência em seu braço de luxo educacional. O segmento Premium, puxado pela expansão do IBMEC, deve registrar uma alta de 13% nas receitas durante o primeiro trimestre. O JPMorgan aumentou ligeiramente as estimativas para esta unidade, prevendo que a margem atinja 49,0% em 2026.
O banco projeta que a margem Ebitda da Yduqs sofra uma contração de 0,9 ponto percentual. “Nos tornamos menos otimistas com a Yduqs quando comparada a outros players, já que a empresa indica um desempenho operacional mais medíocre”, afirmam os analistas. A captação no presencial da companhia deve cair 5% no trimestre.
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A análise indica que a empresa corre o risco de não atingir suas metas financeiras de longo prazo. O JPMorgan estima um LPA de R$ 2,03 para a companhia em 2026, ficando abaixo do intervalo de R$ 2,20 a R$ 3,20 prometido pela companhia em seu guidance. O lucro ajustado esperado para o trimestre é de R$ 139 milhões, 15% abaixo do consenso Bloomberg.


