As companhias elétricas Eneva (ENEV3), CPFL (CPFE3) e Alupar (ALUP11) divulgaram resultados na noite desta quinta-feira (5). Por volta de 12h45, ENEV3 caía 1,43%, cotada a R$ 20,02, enquanto CPFE3 subia 0,94%, R$ 47,39, e ALUP11 tinha alta de 0,09%, a R$ 33,65.
Na avaliação da XP, a Eneva apresentou um desempenho abaixo do esperado no trimestre. Ainda assim, a corretora não considera o desvio preocupante, avaliando que ele não deve levar a revisões relevantes nas estimativas de lucro da companhia para os próximos períodos.
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“De forma geral, gostamos do comportamento dos custos fixos e tivemos pequenos beats (resultados acima do esperado) nas linhas de receitas fixas, que tendem a ser mais stickies (mais estáveis ou recorrentes), enquanto as margens variáveis decepcionaram devido a vários fatores”, avalia a XP.
A XP afirma não identificar, neste momento, fatores relevantes que justifiquem uma revisão substancial de suas estimativas para a Eneva. Segundo a casa, o principal evento com potencial para alterar de forma mais significativa a tese de investimento da companhia é o próximo leilão de reserva de capacidade (LRCAP), previsto para 18 de março.
Já o UBS BB avaliou que o resultado da Eneva veio ligeiramente abaixo de sua estimativa, explicado principalmente pelo menor EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do complexo de Parnaíbas, refletindo custos variáveis acima do esperado. Parte dessa diferença, porém, é atribuída ao forte despacho das usinas no trimestre, o que pressionou as margens variáveis.
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Em termos de investimentos, a Eneva realizou capex de R$ 2 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 1,6 bilhão no trimestre anterior. A maior parte dos recursos foi destinada ao projeto Azulão 950, às plantas de liquefação de gás e ao desenvolvimento da área de upstream. Como consequência, a dívida líquida subiu para R$ 17 bilhões, um aumento de R$ 1,5 bilhão na comparação trimestral. Ainda assim, a alavancagem apresentou leve melhora, com a relação dívida líquida/EBITDA recuando para 2,61 vezes, frente a 2,68 vezes no 3T25.
Segundo o JPMorgan, o EBITDA do 4T25 ficou 5% abaixo da estimativa, principalmente devido a despesas de exploração e produção (E&P) acima do esperado. Ao ajustar esse impacto, estimado em cerca de R$ 200 milhões, o EBITDA ficaria em linha com o consenso de mercado e ligeiramente acima da projeção do JPMorgan.
O banco avalia o resultado do trimestre como neutro. Para os analistas, o principal fator capaz de impulsionar as ações da companhia continua sendo a alocação de capital, com destaque para o próximo leilão de capacidade previsto para março de 2026.
O JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para as ações da Eneva, com preço-alvo de R$ 21. O UBS BB manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 27 por ação, enquanto a XP também reiterou compra, com preço-alvo de R$ 27,10.
Para a XP, a CPFL apresentou resultados saudáveis, com EBITDA ajustado 3% acima das projeções da corretora, evidenciando portfólio premium. Os resultados na distribuidora ficaram 7% acima das projeções, enquanto no segmento de geração e transmissão (G&T) os resultados foram um leve “miss”. No geral, a CPFL entregou resultados consistentes.
O resultado ficou acima tanto do consenso da Bloomberg, que projetava R$ 3,1 bilhões, quanto da estimativa do Goldman Sachs, de R$ 2,9 bilhões, impulsionado por um desempenho melhor do que o esperado nas áreas de distribuição e geração.
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O lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,6 bilhão, também superando o consenso do mercado (R$ 1,1 bilhão) e a projeção do banco (R$ 863 milhões), beneficiado ainda por despesas financeiras líquidas menores do que o previsto.
A CPFL também propôs dividendos de R$ 4,3 bilhões, o equivalente a R$ 3,73 por ação, referentes ao exercício de 2025. O valor representa um payout de 90% do lucro em caixa, acima do patamar próximo de 70% distribuído nos últimos anos.
O UBS BB, por sua vez, avaliou que os resultados da CPFL no trimestre vieram em linha com as estimativas, com destaque novamente para o forte desempenho do segmento de distribuição.
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Sem novas definições sobre o tema de “self-dealing”, o UBS aponta que as próximas revisões tarifárias das distribuidoras podem atuar como potenciais catalisadores para as ações.
Já o Morgan Stanley avaliou que os resultados foram impulsionados por um desempenho mais forte na distribuição de energia devido à redução das despesas administráveis (PMSO) e das provisões para devedores duvidosos, apesar da queda nos volumes. O lucro líquido de R$ 1,5 bilhão também ficou acima da estimativa, principalmente devido aos resultados operacionais e financeiros melhores do que o esperado.
O Morgan Stanley manteve recomendação de venda e preço-alvo de R$ 48, devido à avaliação, aos limitados catalisadores incrementais que parecem estar amplamente precificados e à existência de oportunidades de risco-retorno mais atraentes em outros setores.
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O Goldman manteve recomendação neutra para CPFL, considerando a empresa um ativo defensivo de alta qualidade para exposição ao setor elétrico. No entanto, o banco avalia que as ações negociam a uma valorização relativamente exigente, com taxa interna de retorno real estimada em 8,5%, abaixo da média de 9,2% das empresas cobertas pelo banco.
O UBS BB também reiterou recomendação neutra para as ações da CPFL Energia, com preço-alvo de R$ 58 por ação.
A XP reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 45,4, pois vê CPFE3 negociando a uma TIR real de 8,8%. O JPMorgan também manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 49.
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Já os resultados do 4T25 da Alupar vieram amplamente em linha com as expectativas da XP. Em geração, a corretora destaca que o lucro bruto ficou praticamente em linha.
A XP não enxerga upside nos resultados de transmissão, já que tanto a receita líquida quanto os custos caixa ficaram muito em linha com as estimativas, resultando em um EBITDA de R$ 717 mi. Por fim, a Alupar anunciou R$ 9,9 mi em dividendos, levando as distribuições totais a R$ 356 mi (payout de 50,8%).
O JPMorgan avaliou que os resultados da Alupar (ALUP11) no quarto trimestre de 2025 vieram fracos e abaixo das expectativas. O EBITDA ajustado somou R$ 709 milhões, alta de 8% na comparação anual, mas 9% abaixo da estimativa do banco e 7% abaixo do consenso de mercado. A decepção foi explicada principalmente pela pressão nas margens do segmento de geração, impactadas por curtailment nas fontes renováveis.
O UBS BB avaliou que os resultados da Alupar no quarto trimestre de 2025 vieram em linha com as estimativas, refletindo uma entrega sólida da companhia. Desde setembro, a empresa concluiu investimentos em três projetos de transmissão (TNE, TCE e TECP) e ainda possui cerca de R$ 8 bilhões em projetos a serem desenvolvidos nesse segmento.
Segundo o Morgan Stanley, o Ebitda abaixo foi impactado principalmente pelo segmento de geração, prejudicado sobretudo por volumes de vendas menores em níveis de restrição de geração ainda elevados.
O Morgan Stanley manteve classificação neutra e preço-alvo de R$ 34.
O time da XP manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 53,6 por ação, pois a ação negocia a uma TIR real razoável de 7,8%. O JPMorgan também reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 41.


