Destruição de Provas: Dona de Clínica Destroi HD em Caso de Morte Suspeita

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DESTRUIÇÃO DE PROVAS

A delegada responsável pela investigação informou que, na clínica, havia um sistema de monitoramento de áudio e imagem. Entretanto, no dia que a servidora morreu, a dona da clínica e o marido dela contrataram um técnico em informática, em um domingo à noite, e destruiu o HD.

“Ou seja, impossibilitou que nós, da Polícia Civil, pudéssemos recuperar aquelas imagens para traçar, de maneira precisa, toda a dinâmica dos fatos”, esclareceu a delegada.

Inicialmente, a delegada conta que achou que o dispositivo que grava imagens de câmeras de segurança em formato digital, chamado de DVR (Digital Video Recorder), havia sido danificado. “A perícia preliminar demonstrou o horário em que houve a retirada de um HD que estava dentro do dispositivo e a substituição desse HD”, explicou.

Com isso, o técnico em informática foi chamado para depor. Segundo a delegada, ele esclareceu que foi chamado, em um domingo à noite, para substituir esse HD que ficou em poder da dona da clínica e do marido dela. “Ele (o técnico) foi usado pelos investigados para destruir essa prova, sem ter o conhecimento de que ele estava destruindo uma prova”, declarou.

Por não ter conhecimento de que foi chamado para destruir provas, o técnico não foi indiciado, informou a delegada. “Ele colaborou com a investigação e ficou demonstrado de que ele não sabia o motivo pelo qual ele tinha sido chamado na clínica”, disse a delegada. Dessa forma, a dona da clínica foi indiciada também por fraude processual qualificada.

Além disso, a delegada Débora afirmou que, em menos de uma semana depois da prisão da dona da clínica, ela e o marido transferiram a titularidade da empresa para um terceiro. Segundo a delegada, isso configura em outra evidência do intuito de fraude processual.

PROCEDIMENTO ESTÉTICO

A delegada Débora Melo explicou que o procedimento realizado na servidora foi uma aplicação da enzima chamada hialuronidase. “A substância serve para retirar o preenchimento anterior, ou seja, a pessoa fez um preenchimento no rosto, não quer mais, usa a hialuronidase”. Entretanto, a perícia constatou que o produto não tinha registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), informou a delegada.

A delegada contou também que a aplicação da substância ocorreu na “região abaixo dos olhos” da servidora. Segundo ela, a clínica não possuía os equipamentos básicos de atendimento em casos de uma reação alérgica grave, como aconteceu com a Danielle.

MORTE DA SERVIDORA

Em dezembro de 2024, a delegada Débora Melo informou que a paciente chegou à clínica, localizada no Park Lozandes, em Goiânia, por volta das 9h da manhã de sábado (30), para realizar uma avaliação. Entretanto, a servidora foi convencida a fazer um procedimento.

A servidora Danielle Mendes, de 44 anos, morreu no domingo (1/12/24), um dia depois de passar pelo procedimento e ser levada ao hospital. No dia seguinte, a dona da clínica foi presa e a clínica, interditada, mas não pela morte da servidora, mas porque uma operação notou irregularidades no local.

PRISÃO DA DONA DA CLÍNICA

A delegada explicou, na época da morte da servidora, que a empresária não foi detida por isso, pois a investigação estava em andamento ainda. A detenção ocorreu por outros três crimes: execução de serviço de alta periculosidade, exercício ilegal da medicina e oferta de produto ou serviço impróprio ao consumo.

Segundo a delegada, durante a operação na clínica, a equipe policial encontrou as seguintes irregularidades: medicamentos vencidos, anestésicos de uso hospitalar, itens cirúrgicos sem esterilização, materiais limpos misturados com materiais sujos.

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