Uso do medicamento para perda de peso Wegovy entre adolescentes nos EUA sobe 50%

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Os adolescentes norte-americanos estão recorrendo cada vez mais ao medicamento para perda de peso Wegovy, à medida que mais famílias e seus médicos ganham confiança em seu uso para jovens com obesidade, mostraram dados novos compartilhados com a Reuters.

A taxa média de adolescentes que iniciam o tratamento com o medicamento da Novo Nordisk cresceu 50% no ano passado, chegando a 14,8 prescrições para cada grupo de 100 mil adolescentes, segundo uma análise da empresa de dados de saúde Truveta.

O resultado representa um aumento em relação à taxa de 9,9 prescrições para cada 100 mil adolescentes de 2023, o primeiro ano completo em que o Wegovy esteve disponível para crianças com 12 anos ou mais. A taxa média subiu ainda mais no primeiro trimestre deste ano, chegando a 17,3 novas prescrições para cada 100 mil.

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Ainda assim, isso representa uma fração mínima dos estimados 23 mil a cada 100 mil adolescentes nos Estados Unidos que vivem com a obesidade, e é uma adoção em ritmo muito mais lento do que a ocorrida entre adultos norte-americanos.

“É promissor que mais jovens estejam usando esses medicamentos, mas ainda é uma porcentagem muito pequena de pacientes com obesidade grave que estão tendo acesso a eles”, disse a Dra. Cate Varney, diretora de medicina da obesidade do sistema de saúde da Universidade da Virgínia.

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“Quando apenas as mudanças no estilo de vida são insuficientes, precisamos dessas ferramentas adicionais.”

Para a análise, a Truveta analisou os registros eletrônicos de saúde de 1,3 milhão de pacientes com idades entre 12 e 17 anos. Os dados abrangem 30 sistemas de saúde dos EUA com mais de 900 hospitais e 20 mil clínicas em todo o país.

A análise não incluiu outros medicamentos GLP-1, incluindo o Ozempic, da Novo, e o Zepbound, da Eli Lilly, que não são aprovados para tratar a obesidade em adolescentes, ou mesmo versões compostas dessas terapias.

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O Wegovy passou a ser uma opção para tratar adolescentes no final de 2022, após décadas em que as abordagens convencionais de dieta, exercícios e aconselhamento em grande parte falharam.

Cerca de 8 milhões de adolescentes norte-americanos, ou 23% das pessoas com idades entre 12 e 19 anos, têm obesidade, em comparação com 5% em 1980, segundo dados do governo dos EUA. Os jovens com obesidade correm risco muito maior de desenvolver doenças crônicas, custosas e que diminuem a expectativa de vida, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares e hepáticas.

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Em janeiro de 2023, a Academia Americana de Pediatria recomendou enfaticamente que os médicos fornecessem medicamentos para perda de peso a crianças com obesidade a partir dos 12 anos, mas a comunidade médica não tem adotado de maneira uniforme os GLP-1s para adolescentes.

Alguns médicos estão relutantes, já que a segurança a longo prazo desses medicamentos para crianças, especialmente durante uma fase crítica de desenvolvimento, ainda é desconhecida, e os tratamentos podem precisar ser usados por tempo indeterminado.
O secretário da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., tem criticado a ideia de prescrever amplamente o Ozempic ou Wegovy a crianças para tratar a obesidade.

Em um relatório federal de saúde divulgado por ele no mês passado, os medicamentos GLP-1 foram citados como exemplo da “excessiva medicalização de nossas crianças”.
O documento destacou a falta de “dados sobre segurança a longo prazo, levantando a possibilidade de problemas inesperados que possam interromper, prejudicar ou comprometer o metabolismo e o desenvolvimento do crescimento”.

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Em um comunicado, a Novo disse que o ingrediente ativo do Wegovy e do Ozempic, semaglutida, “não pareceu afetar o crescimento ou o desenvolvimento puberal” durante seus testes clínicos envolvendo adolescentes.

Para muitos adultos, disse a Novo, a obesidade começa na infância ou adolescência, e “estamos confiantes na segurança e eficácia comprovadas de nossos medicamentos GLP-1”.

O medicamento para perda de peso Zepbound, da Eli Lilly, está em fase final de testes clínicos para uso em adolescentes. A empresa disse à Reuters que “não há, até o momento, evidências que sugiram prejuízo no crescimento ou no metabolismo” devido ao uso de medicamentos GLP-1.

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(Reportagem de Chad Terhune, em Los Angeles, e Robin Respaut, em San Francisco)

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