No desdobramento do caso que chocou a população, quatro policiais acusados de envolvimento no desaparecimento e morte de um adolescente de 14 anos passaram por uma audiência de instrução na Justiça em Goiânia. Nesse estágio do processo, o juiz ouve testemunhas de acusação e defesa, além de analisar todas as provas apresentadas, a fim de decidir se os réus serão levados a júri popular. Os réus são os policiais Fabrício Francisco da Costa, Thiago Antonio de Almeida, Eder de Sousa Bernardes e Cledson Valadares Silva Barbosa.
Os policiais também respondem pelo homicídio de dois amigos e um primo da vítima, João Vitor Mateus de Oliveira. Até o momento, a defesa dos acusados optou por não se manifestar publicamente. Por sua vez, a Polícia Militar se pronunciou dizendo que todos os procedimentos administrativos necessários foram adotados de acordo com a legislação em vigor. A audiência de instrução teve início às 14h e foi suspensa às 20h na 2ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri, em Goiânia, com a presença de testemunhas das vítimas.
Segundo relatos do advogado da família do adolescente desaparecido, Allan Hahnemann, a expectativa é que, após ouvir todas as testemunhas, o próximo passo seja ouvir as testemunhas de defesa e, em seguida, realizar o interrogatório. A reprodução simulada dos fatos está programada para ocorrer no dia 9 de setembro. O advogado Diego Mendes, assistente de acusação, acredita que existem provas suficientes que indicam o homicídio do jovem João Vitor e a ocultação do corpo pelos policiais.
A denúncia do Ministério Público de Goiás foi aceita pela Justiça em dezembro de 2024, determinando o afastamento dos policiais das ruas para evitar novas infrações. Segundo o documento, os policiais agiram de forma livre e consciente, utilizando recursos que dificultaram a defesa da vítima, com o intuito de assegurar a impunidade de outros crimes. A mãe do adolescente desaparecido expressou a dor e a dificuldade enfrentada pela família em lidar com as consequências emocionais e psicológicas do ocorrido.
Familiares e amigos das vítimas contestam a versão policial de que os jovens estavam envolvidos em atividades criminosas, destacando que não havia motivo para a ação letal dos policiais. A justiça divina é vista como a única esperança de reparação para a mãe de João Vitor, que sofre com a perda e as sequelas emocionais causadas pelo desaparecimento do filho. O caso continua sendo acompanhado de perto pela sociedade, na expectativa de que a verdade seja revelada e a justiça seja feita para todas as vítimas envolvidas.


