A RD Saúde (RADL3) apresentou na última segunda-feira (1º) sua estratégia no Investor Day e reforçou perspectivas positivas. A rede de farmácias projeta abrir entre 330 e 350 lojas em 2026, planeja ampliar a presença em HPC (produtos de higiene, limpeza e beleza) com novo formato de loja e maior sortimento, e mantém uma visão otimista para o mercado de medicamentos GLP-1 (fármacos usados para controle de peso e diabetes), onde já possui participação acima da média.
A companhia também enxerga potencial relevante em marcas próprias, especialmente em OTC (produtos vendidos sem prescrição médica) a partir de 2026, após aproveitar uma janela regulatória para aprovar novas moléculas.
Segundo a XP, a RD está bem posicionada para capturar ganhos operacionais graças à capilaridade, tecnologia, inteligência artificial (IA) e alto nível de satisfação do cliente. A consultoria avalia que a empresa deve melhorar alavancagem de despesas e diluir investimentos em TI, com executivos demonstrando confiança nas perspectivas de crescimento e rentabilidade no curto e médio prazo.
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Já o Itaú BBA destacou a reaceleração do crescimento em HPC impulsionada por maior intensidade promocional e melhor execução, avanço contínuo em marcas próprias com forte posicionamento e rentabilidade, e expansão disciplinada sustentada por investimentos em logística e integração omnichannel.
O BBA também comenta que a posição da RD em GLP-1 segue como diferencial, com a companhia bem posicionada para capturar o crescimento do mercado diante de mudanças regulatórias. O banco estima o mercado atual em cerca de R$ 13,7 bilhões, com a RD detendo mais de 30% desse segmento, muito acima dos cerca de 16% no mercado farmacêutico geral. A companhia estabilizou estoques para cobrir dosagens atuais e novas, e expirações de patentes previstas para 2026 devem expandir o mercado via novos lançamentos, volumes e maior acesso.
Embora o banco siga atento a desafios estruturais, especialmente o aumento da competição em HPC e possíveis mudanças regulatórias nas vendas on-line de medicamentos, o momento operacional vem melhorando e os riscos de curto prazo parecem limitados.
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O Bradesco BBI, por sua vez, decidiu elevar o preço-alvo de R$ 24 para R$ 26 após incorporar os resultados do 3T25 e ganhos de margem projetados com genéricos de semaglutida a partir de 2027. O banco manteve recomendação de compra, sustentada por forte momento de resultados, fundamentos sólidos de crescimento no longo prazo e valuation atrativo.
O BTG avalia que os resultados recentes superaram expectativas e reforçaram a visão da RD como uma tese segura de retornos compostos, sustentada por forte execução, expansão e retorno sobre capital investido (ROIC) crescente. A companhia elevou sua taxa interna de retorno (TIR) de loja para acima de 25% nos últimos três anos, apoiada na malha nacional, serviços e omnicanalidade.
Para o banco, as verticais de produtos de beleza e marcas próprias mostraram aceleração, com participação maior, margens superiores e aumento da recorrência. A operação logística é destaque, com centros automatizados, entregas rápidas e uso de IA em mais de 100 casos. GLP-1 é um importante catalisador, já representando cerca de 9% das vendas e com potencial de aumentar margens com genéricos a partir de 2026.
A companhia enfrenta competição estrutural em higiene pessoal e cosméticos, mas o cenário parece mais equilibrado. Para 2026, as principais variáveis são SSS acima da inflação, evolução de margem e impacto dos genéricos de GLP-1.
O BTG projeta lucro líquido de R$ 1,65 bilhão em 2026, com CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de lucro por ação (LPA) de 25% entre 2025 e 2030. O múltiplo elevado de 25 vezes P/L (Preço sobre Lucro) para 2026 é sustentado pelo histórico de execução. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 24.
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Próxima fase
A RD reiterou compromisso de acelerar ganhos de escala e participação, apoiada em vantagens competitivas e ambiente favorável, segundo o BBA. “A cultura centenária, marcas fortes e proximidade com o cliente formam base sólida de crescimento”, diz o banco.
Investimentos em tecnologia, IA e digitalização, aliados a um balanço robusto, são vetores adicionais em um cenário de juros altos. A administração destacou o efeito “flywheel”: desempenho superior gera capacidade de investimento, reforça diferenciais e sustenta crescimento. A empresa também apontou que sua expansão disciplinada, eficiência operacional e inovação centrada no cliente devem permitir ganhos incrementais em escala e participação.
O BBA manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 24.
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